Para nós, aos 81 anos, as
mulheres são como as árvores.
Se são belas e jovens
admirámos a sua beleza, as flores de que se ataviam, como as
magnólias.
Mas também é o porte, a
postura, a textura da casca, o cheiro, perfume a eucalipto, a
tília... que nos enleva.
Mas, para nós, longe estão
os tempos da primavera em que o vigor nos levava a trepar aos
ramos mais altos para colher as cerejas mais rubras, os frutos
mais maduros.
E, por isso, se são novas, o
bom senso e a vergonha do que agora somos, leva-nos a proceder
como a raposa da fábula... estão verdes, não prestam.
Se são idosas admiramos,
muitas vezes com pena, o que o escorrer do tempo fez delas.
Que verdura e encanto, que alegria e vivacidade foi possível
transformar-se nesta textura seca e rugosa... neste aspecto
duro, calculado...
Neste caso, se são velhas, com casca igual à dos sobreiros,
ainda poderemos acolhermo-nos à sua sombra, protegidos da luz
do sol em longas meditações e solilóquios.
Mas se são de meia-idade, na
casa dos quarenta, como vamos nós, agora, aguentar tanto
fervor?
Faro Barros
20090421