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Foi um período, século excepcional, durante o qual tivemos o privilégio de assistir a transformações mundiais, num curto espaço de tempo, como nunca tinha acontecido em milhares de anos anteriores. Segundo a Bíblia Adão, o primeiro, viveu 930 anos, a que se seguiram Set, Henoc, Matusalém, Noé,Lamec e muitos outros por milhares de anos. Só
há cerca de 5,000 anos, a humanidade larga as pedras e os paus, alguns deixam
os rebanhos, e chega-se à idade do ferro com os descendentes de Tubal. E
estamos em 1900, século XX. Foi como se um cataclismo nos tivesse catapultado para um idade de ouro (ou que esperamos venha a ser uma idade de ouro, apesar dos descalabros a que assistimos). Nos transportes Durante
infindos tempos o homem desejou voar, sem sucesso; os anseios de voo vêm de
longa data. Mas passaram-se milhares de anos desde a mitológica tentativa de Ícaro
(cerca de E
foi logo em seguida (só 60 anos após o começo - 1969) que se conseguia uma
histórica alunagem. No
solo, em 1908 aparece o Ford T (industrializado) e o taylorismo. De
Entretanto
o automóvel vulgariza-se, todos o usam (ainda bem); a bicicleta quase
desaparece. Em
1970 automóvel Blue-Flame atinge
Foi
já nosso século que Einstein desenvolveu a teoria da relatividade, e assustado
com a iniciativa de Hitler à procura da Bomba definitiva, leva o Presidente dos
Estados Unidos a entrar na corrida. Agora,
apenas um século depois da primeira cisão de um átomo por Rutherford
(1871-1932), as centrais atómicas e a tecnologia associada são factos
consumados. É
de lamentar a Bomba de Hiroshima e outras más aplicações que tem havido da ciência,
mas isso deve-se somente à natureza mista do ser humano (malévola e genial) a
oscilar entre Leonardo da Vinci, Bach, Mozart e o estrangulador de Bóston ou os
nossos pedófilos caseiros. Porque
as barbaridades em massa crescem à medida que a ciência e a tecnologia avançam:
Auschwitz, a Bomba de Hiroshima, Uganda... Em
1867 nasce Marie Curie (1867 – 1934) e os estudos sobre os raios X e raios
gama começam a intensificar-se. De um modo geral desenvolve-se a investigação
sobre todo o tipo de ondas. Em
cem anos a medicina já não dispensa o TAC, os ultra-sons, os raios-X, etc. Costumo
dizer, por graça, ateu que sou, que os médicos vivem à custa dos erros dos
Deuses. A
análise do ADN lança novos meios de investigação criminal e antropológica.
Já foi possível verificar a falsa pretensão de quem se dizia ser Anastásia
Romanoff. O
estudo do genoma humano veio também confirmar, de certa forma, que diferimos
pouco dos macacos, como Darwin propusera. Nas
comunicações, sonoras e visuais, entre os humanos, tudo começou talvez, há
milénios, pelas fogueiras de fumo e pelos tambores. Só
nos preocupam as contas mensais do telemóvel, a subida do nível de iliteracia
colectiva, e o abastardamento da língua portuguesa, que a nova geração K (a
do k keres bj para beijinhos) acabará por impor, para desgosto de quase todos nós
que adoramos a língua portuguesa e nos deliciamos com Fernando Pessoa, Mia
Couto, Eugénio de Andrade. São
ainda desenvolvimentos do nosso tempo, nas comunicações, o radar, a rádio e a
televisão só aparecida em público em 1925 (USA e Inglaterra). Esta,
a televisão, a grande culpada de muita asneira e borrada em que se transforma a
vida de muita gente (não só em Portugal) é agora interactiva, filha do
Big-Brother, irmã dos Reality-Shows com uma série de figuras das séries
cor-de-rosa e os inefáveis comentários e livros do Marcelo e a cómica quadratura do
circo (digo Círculo). N os ComputadoresNa
Informática, em 1943 aparece o primeiro computador da nossa era (o ENIAC). Em
1970 o meu primeiro computador, uma HP – Hewlett Packard, só tinha 256 kb de
memória e trabalhava com cassetes, sem disco; custou na altura 600 contos. Nessa
época um Volvo Amazona 2,000 cc (uma brasa) custava menos de 100 contos. Hoje, 30 anos depois, em casa, 2 mb de memória virtual e discos de 400 Gb são correntes num computador de custo à volta de 100 contos; um automóvel equivalente ao que citei acima custa cerca de 5,000 contos. E
estamos ainda na idade da pedra lascada dos computadores. No Campo da ImagensNa
Fotografia, em 1930, os caixotes da Kodak eram o último grito. Seis fotos 6 x Agora,
na era digital (80 anos depois) uma Nikon D2X ocupa 37 mb com uma única foto e
pode guardar mil fotos numa só memória de 2 Gb (memória que pesa umas gramas)
e tira, em rajada, 8 fotos por segundo. A
Arte torna-se filosófica e psicanalítica. Picasso, Marcel Duchamp (e outros)
questionam-nos e nasce o Cubismo e o Ready Made. Pollock
leva a pintura gestual (expressionismo abstracto) aos píncaros da glória,
apresentando uma nova força interior do Homem, subconsciente, já abordada por
Freud e Young. Nasce a “Drip Painture”.
N a FilosofiaAo
conceito essencialista, da natureza humana, contrapõe Sartre o existencialismo
e acontece-nos Maio de 68, Woodstock e, felizmente, Juliette Greco. Deus
não é posto em questão pela Igreja mas, segundo a VISÂO 20060601, é
questionado pelo Papa actual que diz: Porquê Senhor, permaneceste calado!?...
Onde estavas...!? quando aconteceu
Auschwitz...? É
ainda no nosso tempo e século que se começam a definir os direitos do ser
humano e, recentemente, também os direitos dos animais. E
Damásio (o nosso Damásio) começa a desmontar em partes elementares o
funcionamento do cérebro, desvenda-nos os “Erros de Descartes” que nos
levam a pensar em deuses e não em Deus. No Estudo do CosmosNão
há dúvida que hoje em dia tudo leva a crer que pode haver outros mundos
habitados no Universo. A probabilidade estatística de sermos o único planeta
habitado, em biliões de galáxias como a nossa, é demasiado pequena para a
aceitarmos como solução possível para o nosso anseio de sabermos quem somos. Tempos
extraordinários são estes em que vivemos. A Concluir No
meu tempo, ainda estudávamos com a noção de que o que aprendíamos era
para sempre: como construir uma chaminé em blocos; como construir uma caldeira;
a locomotiva a vapor... etc. Que as tabelas de logaritmos estavam para ficar,
que os ábacos eram ícones eternos da ciência. Mas
sabemos agora que a ciência e a tecnologia avançam em catadupa, numa forma
exponencial, qual onda gigantesca de maremoto que faz saltar tudo à sua
passagem, afogando-nos o passado e lançando-nos para o futuro de modo
incontrolado. Somos
inundados por todos os lados de informação de base aleatória, não
coordenada. Quase não resta tempo para se pensar. Entra-se
numa livraria e verifica-se que toda a gente escreveu um livro. São livros às
centenas, novos, todos os meses. Não há orçamento nem cabeça que aguente. E
agora? para o futuro? quem pode prever? Que fazer? Não
tenho conselhos a dar. Mas faço uma sugestão: Pelo
menos conservem em computador o essencial (e o supérfluo também) da memória
da vossa vida e da vossa família. Os nomes, as datas, os escritos, as vozes, as
fotos, os vídeos... os acontecimentos A
pena que eu tenho de não ter perguntado a meus pais e avós, em devido tempo,
as coisas que gostaria de deixar para a minha neta ou bisnetos futuros... ou
recordar agora... eu... que tenho uma péssima memória. Registo
o que posso. É fácil, é barato, e só consome tempo – o que me resta. Pode
ser que daqui a 50 ou 100 anos, um descendente esteja interessado em saber como
era a vida do nosso tempo. |
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