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Nada sei dos teus olhos
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Escrevo talvez o dia procurando o silêncio.
Ou talvez seja outra a razão porque respiro
na tua pele a substência do ar.
O delírio da luz construindo devagar as imagens.
O rosto perdido na água desfocada e exausta.
Nada sei dos teus olhos . Em que árvore nasciam
as palavras necessárias. No texto da pele o poema do corpo.
Devagar a língua verte o sangue irrequieto do poema.
Escrevo no caminho das palavras.
Fernando Esteves Pinto
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