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| do livro "um Pouco de Infinito em Toda a Parte" |
Penso com Palavras | |||||||
| actualizada em 20090214 | ||||||||
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Penso com palavras mas sinto as imagens que elas sugerem ou os sentidos registam e se reflectem nuas no espelho da memória, seja o canto do galo pela noite fora ou ao amanhecer repenicado e vibrante, seja o verde das videiras e o vermelho das uvas, o veludo dos pêssegos a aspereza arrepiante das folhas das figueiras ou a acidez dos citrinos multifacetada e doce.
Mas o que mais povoa o claustro silente de abobadas suspensas dos aromas exóticos é o cheiro penetrante e macio das estevas escorrendo resina dos troncos viçosos não obstante a secura que lhes mina as raízes.
Admiro a leveza e a lentidão das estevas oscilantes persistentes mas presas à crosta alimentadas apenas pela escassez do húmus, matreiras à espreita da insensatez dos humanos disputando palmo a palmo o pouco que resta da terra arável abandonada ou esquecida nela se instalam e avançam de olhos abertos respondendo assim a quem os tem fechados.
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| Manuel Madeira | ||
| 200704 |
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