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| Coimbra, 10 de Julho de 1958 | ||||||||||
| Diário VIII | ||||||||||
Está tudo podre. E de madeira podre não se faz boa obra.
Construir o futuro
com este material, seria trair a esperança dos que
merecem tê-la.
Toca-se numa
consciência, e nunca nos soa a indignação, a cerne ofendido.
É um som choco
que se ouve, meio queixoso, meio cauteloso, meio gozoso,
de toco furado.
O peto foi -se à floresta, picou, picou, abriu na polpa de cada tronco
o
indispensável caminho à infiltração deterioradora, e o tempo, paciente,
encarregou-se do resto.
Deu latitude à gangrena progressiva, enquanto a disfarçava com o musgo
da
aparência.
E chegámos a isto: percorre-se a mata e não se encontra uma árvore
que dê
uma trave em condições.
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